terça-feira, 17 de novembro de 2015

Uma história, nossa história.

Olá.

Eu me chamo Louis. Nasci em Florianópolis, em Fevereiro de 1982. Meu pai também é manézinho, mas minha mãe é francesa. Eles se conheceram quando meu pai foi fazer uma viagem na Europa e foi tomar café da manhã perto da Torre Eiffel. Meio atrapalhado com a língua, viu uma bela jovem vindo em sua direção para socorrê-lo. Ela ouviu o francês meio aportuguesado e com palavras inglesas no meio e sabia que só podia ser estrangeiro. Foi assim que Lucas conheceu Sophie, uma francesa que tinha ido para Portugal para estudar e tinha aprendido um pouco do português. Lucas ainda tinha um dia em Paris e Sophie foi sua guia. Em tão pouco tempo juntos, criaram uma grande amizade e prometeram mandar cartas um para o outro.

Cerca de dois anos se passaram e não se passava uma semana sem que um escrevesse para o outro. Passaram a se conhecer melhor e ansiar pelo próximo encontro. Por ocasião do destino, Sophie foi morar em Portugal para fazer o seu mestrado justo quando Lucas planejava sua próxima "Euro trip". Fazendo um esforço extra para adicionar uns dias em Portugal, conseguiram se encontrar. Do abraço de oi ao beijo de tchau, o destino foi selado ali. O tempo se passou e o destino atacou mais uma vez: foi oferecido a Sophie um emprego no Brasil, em São Paulo. Ainda uns mil quilômetros de distância, mas melhor do que ter que atravessar um oceano. Sabendo da notícia e confiante em seu coração, Lucas fez de tudo para se mudar para São Paulo também. Assim, assumiram oficialmente o namoro e começaram anos tensos pela frente. Cidade grande, complexa, demoraram a se acostumar, mas conseguiram. Tinham o sonho de voltar para suas cidades natais ainda assim, não conseguiam conceber a ideia de criar um filho naquela cidade. Se casaram e por fim decidiram: vamos morar em Florianópolis! Assim, voltaram para a cidade natal do Lucas, mesmo que contra a vontade de Sophie, que queria ir para a França.

Dois anos depois, a minha mãe ficou grávida e eu vim ao mundo. Para ela, foi uma grande alegria! Para o meu pai, uma preocupação. Houveram complicações na gravidez e minha mãe sofreu bastante, mas no fim, tudo deu certo e eu nasci! Tive uma infância boa, vivia na praia. Criado em Canasvieiras, passava os dias na areia e as noites observando as ondas sob o luar. Desde pequeno minha mãe já me ensinava o francês, falava que não ia admitir que eu fosse para Paris e cometesse o papelão que meu pai cometeu, a menos que fosse para achar uma francesa para mim. Com meus 11 anos de idade, minha mãe resolveu mudar para a França. a situação estava difícil em casa e meus avós convenceram meu pai a aceitar. Era agora que eu ia ver se as aulas da mãe tinham funcionado.

Matriculado na escola, chegou o primeiro dia de aula. Minha mãe me acompanhou, não quis deixar que meu pai fosse (só por precaução). Até que me saí bem, mas todos riam do meu sotaque e das minhas confusões. Afinal, minha mãe era uma boa professora, mas as outras crianças eram fluentes, e eu era um manézinho com pouca prática. Com o tempo, é claro, fui me soltando e ficou mais fácil a convivência. Conheci mais meus colegas e assim fomos crescendo e nos tornando amigos. A cidade me acolheu muito bem e logo já reconhecia Paris como meu segundo lar (minha mãe adorava quando eu falava isso).

Os anos passaram e fui crescendo. Com dezesseis anos, tive minha primeira namorada. Durou pouco mais de seis meses, mas foi muito bom. Em todo caso, ela não seria a mãe dos meus filhos. Essa só surgiria mais tarde na história. Segui minha caminhada no colégio e tive que decidir pelo meu futuro profissional. Fascinado pelos marcos da cidade, pensava que arquitetura poderia ser um bom caminho. Porém, também tinha uma paixão pelas artes e pensava se design não poderia ser uma saída. Acabei optando pela primeira opção e assim comecei os estudos.

Entre aulas e noites viradas, saídas de campo e aulas de urbanismo nas avenidas de Paris, conclui minha graduação. Conheci pessoas incríveis que viriam a ser grandes arquitetos, engenheiros, advogados, administradores (sim, muitos mudaram de curso depois). Muitas amizades que levaria para o meu futuro. Mas o mais importante foi a engenheira que conheci: Claire. Pois é, começou como uma colega da arquitetura, mas depois de dois semestres ela preferiu mudar de curso e seguiu o rumo do coração dela. E eu, segui o rumo do meu coração: me mantive na arquitetura e me mantive próximo dela. Depois de alguns anos de amizade e de relacionamentos desastrosos de ambos, resolvemos nos dar uma chance. A minha melhor amiga se tornou o meu amor. Encontrei a minha francesa.

Assim, começou a nossa história. Passamos do singular para o plural. Começamos a namorar perto do final da minha faculdade. A dela ainda demoraria um pouco mais pela transferência. Aos poucos, fomos nos abrindo cada vez mais e entendendo a nossa vocação. Viajamos juntos, fomos visitar minha família de Florianópolis, apresentei um pouco do Brasil para ela. Claire se apaixonou pelas praias e imaginou toda a história da minha infância. Meio encabulada por não saber muito do português, se enrolava ao conversar com meus avós, mas como eles eram pacientes, tudo deu certo. Ela falava do quanto seria bom pros nossos filhos conhecerem seus bisas e do quanto eles gostariam da praia.

Voltamos para Paris e a história dos dois chegava perto de aumentar. Depois dela se formar, resolvi pedir em casamento. De um jeito simples, mas romântico, pedi a mão dela com a ajuda dos meus sogros. Emocionada, aceitou! Tão rápido noivamos, tão rápido casamos. O sonho de ter nossos filhos aumentou. Após um ano de preparo, tanto financeiro quanto psicológico, começamos a tentar. Depois de ansiosos meses, veio a tão esperada notícia: Claire estava grávida. Repetindo-se a história, também houveram complicações durante a gestação, mas que viriam a se superadas com aquele primeiro choro. Assim, nasceu Pierre. Do nosso amor, surgiu este novo ser. Como era de se esperar, nossos dias passaram a ser de alegrias e tristezas, noites mal dormidas e puro companheirismo. Ele até que era uma criança tranquila, mas não parecia gostar que dormíssemos perto das três horas da madrugada, sempre acordava e chorava. Meus pais ajudaram bastante nessa fase. No início, não queríamos sair do lado do Pierre. Com o passar dos meses que conseguimos deixar ele com os avós sem problemas.

Sendo assim, resolvemos sair para aproveitar como casal depois de um tempo em casa. Deixamos o Pierre com meus pais e, com um outro casal de amigos, fomos ao Le Bataclan. Não sabíamos o que ia rolar lá, mas nossos amigos estavam querendo ir e acompanhamos eles. E assim, nos aproximamos do fim das nossas histórias. No meio do show, ouvimos um estouro. Parecia um efeito da banda, mas quando ouvimos pela segunda vez, vimos três homens com suas metralhadoras e pessoas no chão. O desespero tomou conta de todos que tentavam se salvar. Não foi o que aconteceu comigo e com a minha esposa. Entre correrias e tiros, fomos os escolhidos da vez. Em poucos instantes, tudo se passou por nossos olhos: a infância em Florianópolis, a mudança de cidade, a faculdade, o casamento, o nascimento do Pierre... os sonhos da Claire de levar ele para conhecer os bisas de Floripa, ou de levar ele na praia e ver ele curtindo o mar. Tudo isso se foi num disparar de uma bala. E a minha história que começou em Fevereiro de 1982, terminava ali, em novembro de 2015.

A história de meus pais e do Pierre se encontravam em outro momento. A dele, recém começava ou recomeçava. Tudo que um dia poderia ser já não poderia mais. Teria que ser criado pelos avós ou por quem o recebesse. Quanto aos meus pais, bom, uma parte da vida deles acabara ali. Depois de 33 anos me criando, me acompanhando e me dando as melhores condições possíveis, voltaram a ser um casal sozinho. Tinham o Pierre, mas um vazio ainda os preenchia. A história deles podia terminar ali também, mas com a força de uma criança, superaram a dor e fizeram de tudo para que o neto fosse uma ótima pessoa e, assim, voltariam a ter a alegria na vida.

Pois é, a minha vida acabou ali, sabe-se lá o porquê. 33 anos se esvaindo num segundo. Pode parecer pouco quando tu pensa que existem outras bilhões de vidas, mas não, uma vida nunca é pouco a partir do momento em que passa por tantas outras. Hoje, meus colegas da escola estão de luto, minha família está de luto, meus colegas da faculdade estão de luto, todos aqueles que eu passei pela vida e que me conheceram um pouco que seja, estão de luto. Hoje, meu filho está de luto, sem nem saber o que é. Uma decisão de um segundo é seguida por uma culpa de 33 anos.




Bom, agora quem fala é o Pedro mesmo. Primeiramente, queria deixar claro que essa história toda foi criada, não conheço nenhum Louis, Sophie, Pierre, etc. Sabe, muita gente pode ler isso e já vir criticando perguntando "ahh, e por que tu não escreveu sobre Mariana?" ou sei lá sobre qual outra tragédia. Se alguém vir me perguntar isso, de nada serviu a minha postagem. Não importa se foi em Paris que se passou a história, não importa se foi em Mariana, não importa se foi em Dakota do Norte. O que importa é o valor de uma vida, a singularidade que cada ser carrega em si. Poderia sim escrever uma história em que o Louis saísse de Mariana para seguir seus sonhos e perdesse os pais no dia seguinte ou até, como citei ali em cima, falar de Dakota do Norte, local para onde o meu irmão foi e onde ele sofreu o acidente que o levou a morte. Mas não, a minha intenção não é levar em conta nenhum caso específico, mas falar de um contexto geral mesmo. A pressa de chegar no trabalho acabou com uma história de 21 anos e 11 meses. Um tiro acabou com uma história de 33 anos. Um desastre natural acabou com uma história de 5 anos, uma história de 43 anos, uma história de 87 anos. A reflexão fica na consciência de cada um. Cada um tem sua história. O quanto tu gostarias que a tua fosse jogada no lixo assim? Essa semana, li muitas pessoas falando que o mundo está se acabando, não só Paris ou Mariana. É, concordo com essas pessoas. Mas não quer dizer que eu não ache isso ruim e não possa pensar sobre. Fica aqui a minha reflexão quanto a isso. Nunca se sabe qual vai ser a próxima história. 

Um grande abraço,
Pedro Meyer.

sábado, 24 de outubro de 2015

Ei, pequena,

Vem aqui, me abraça.

Me passa a tua calma como só tu sabes fazer.

Me tira desse mar de pensamentos.

Ei, pequena,

Dá um sorriso, compartilha a tua alegria comigo.

Faz com que tudo mude num segundo

E que eu queira desbravar o mundo ao teu lado.

Ei, pequena,

Não esquece de mim, pois eu não consigo te esquecer.

Teu jeito tão singular,

Teus gostos e interesses não saem do meu sorriso.

Ei, pequena,

Tenho saudades de ti,

De tu me chamando de idiota

E das nossas conversas por áudio e das tuas risadas.

Ei, pequena,

Tua vida é complicada demais,

Mas a minha também é.

Por que não descomplicamos elas junto?

Ei, pequena,

Tu me faz feliz,

De um jeito que eu não sei explicar.

Por que insistes em achar que tu me faz mal?

Ei, pequena,

Sei que teu tamanho não é nada perto dos teus sonhos

E do teu coração fechado.

Por que tu não vês isso e não te abres?

Ei, pequena,

Sei que tenho muitas dúvidas,

Mas de uma coisa eu tenho certeza:

Eu te amo de verdade e tu não sai da minha cabeça.

Mas, pequena,

Te peço um favor:

Abre teu coração.

Pois só assim, tu conseguirás viver teus sonhos

E amar alguém como eu te amo.

Vai, pequena,

Seja feliz e me faça feliz.

Se for para sermos felizes juntos

Deus nos unirá.

Enquanto isso, te deixo viver.

Tchau, pequena,

Eu sei que o mundo nos separou

E que voltar atrás agora já é tarde demais.

Estarei sempre aqui para ti,

Obrigado por me ensinar a amar

E me inspirar a escrever.


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Uma volta ao passado.

Fala galera!

Duas da manhã e o idiota aqui está escrevendo. Tudo isso porque acabei dando uma viajada e acabei revendo uns posts de um ano atrás. Pois é, o blog já tem um ano, um mês e alguns dias, mas parece que foi ontem que eu estava lá em dúvida sobre o que colocar de nome pro blog. Muita coisa aconteceu nesse meio tempo: tentei escritas novas, tentei botar música junto, passei a escrever em linhas curtas, enfim, tentei me encontrar. Sei que consegui alcançar alguns dos meus objetivos (uhuuul!!) ao escrever textos que foram muito elogiados quando tudo que eu queria era botar pra fora a alegria ou tristeza que sentia. Mas percebi uma coisa e esse "uhuuul!!" faz parte disso: eu mudei muito do que era da primeira postagem. Claro que eu não iria escrever aquele meu texto da JAJ com smiles, gírias e parenteses desse tipo ali, mas eu abandonei mesmo aquele estilo e sei lá porque. Enfim, sei que mudou muita coisa mesmo. Mas o que inunda meu pensamento agora (além da vontade de enfiar a cara no travesseiro e dormir) é o quanto eu não tenho seguido o nome do blog. Quer dizer, tenho seguido no máximo uns 50% (tipo, 33% inteiros do pensar, tenho pensado pra caramba; uns 5% do agir, se é que chega a isso; e metade dos 33% do amor, pq nisso até que eu consegui). Tá, a soma dá mais que 50%, mas vocês entenderam o propósito... e daí, me vem duas opções: 1) mudar o nome do blog; 2) mudar o dono do blog. A primeira, com certeza, é a mais fácil, mas com a preguiça que o vulgo dono do blog tem, é capaz de demorar tanto para acontecer quanto a primeira. Além do mais, os links que já publiquei ficariam inválidos e eu não tô pilhando isso não. :/ Talvez o mais tranquilo seja eu mudar mesmo e tentar agir mais do que escrever, por mais que seja foda.

Enfim, essa noite eu escrevi um outro texto junto a esse. Assim como o do sorriso, esse texto tem uma linguagem metafórica. Não quer dizer que necessariamente seja algo real, são só pensamentos que vem em minha mente sobre coisas do cotidiano e que eu gosto de pôr em palavras. Portanto, ninguém precisa se atirar da ponte ou sair me amando por nada que eu escrever, beleza? Por outro lado, tento manter as minhas escritas com o máximo de veracidade quando o assunto é sentimento. Ou seja, eu consigo sentir aquilo que escrevo e uso muito do sentimento do momento para escrever. Maaaas, isso não quer dizer que eu esteja mandando indireta para as pessoas causadoras de tal sentimento. Por exemplo: o do sorriso realmente aconteceu 1/5 da história. Eu vi um sorriso muito bonito aquele dia que me deixou feliz, mas só isso. Não passei o resto da eternidade pensando naquilo e me imaginando no altar com a pessoa que sorriu. Só gostei de um sorriso e usei a criatividade pro resto.

Bom, that's all, folks! Por hoje, fecho o blog e deixo sem nada mais para falar. Obrigado por lerem e serem companheiros dessa vida estranha que é a minha. Se hoje eu tenho mais de 3000 views em uns 400 dias, é porque algo deve ter agradado. Obrigado, mesmo! Sei que já disse que não escrevo por views, mas por mim mesmo, maaaas não posso deixar de dizer o quanto me alegra ver que pessoas viram (?) as minhas postagens, ainda mais nas postagens que passaram a casa das 100 visualizações (ou 300 que nem a da minha vinda para Floripa que deu quase 400). Enfim, obrigado!

Um bom dia para quem ler isso de manhã e uma boa noite para quem estiver indo dormir agora também!

Beijão!
Pedro Meyer.

Ei, se importas se eu te esquecer?

Ei

Faz tempo que não nos falamos, né?

Tipo, do jeito que a gente falava antes.

Sinto saudades daquele tempo, daquela amizade.

Até tentamos trazer isso um pouco de volta, não?

Fico em dúvida, nunca foi muito claro.

Mas sabe... eu estive pensando em esquecer.

Tentamos, mas não deu certo.

Pra que martirizar uma amizade?

Algo que devia ser tão simples e honesto.

Não quero mais viver assim, cansado de te ver.

Afinal, cada vez que apareces, me lembro do que éramos

e realizo o que nunca iremos ser de novo.

Tu vais fazer falta,

mas pior que isso é lembrar do passado.

Tua amizade me fez tão bem, me foi tão boa.

E espero que tenha sido recíproca em certo ponto.

Sei que risadas e choros compartilhamos,

que fizemos um ao outro um pouco melhor.

Sei que surgiu do nada, mas que cresceu rápido e forte,

mas tão rápido veio, tão rápido se foi.

Sabe, escrevo aqui por saber que nunca lerás,

pois tanto de ti já falei e nunca de ti ouvi.

Amigos, infelizmente, vem e vão,

mas contigo eu queria que fosse diferente,

Que tu viesse e ficasse.

Mas já que não foi, te pergunto do fundo do coração:

te importas se eu te esquecer?

Prometo não esquecer as boas lembranças,

os textos e o blog,

mas esquecer somente aquilo que me faz mal hoje.

Quem sabe, um dia, tu me lembras de ti.

Mas por enquanto, preferia te esquecer.

Pode ser?


segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Quando o coração sorri

Sabe quando tu estás andando bobo pela vida

e no meio do caminho avista algo que te tira a atenção?

Pois é, assim começa uma história.

Perdido em pensamentos,

a pessoa se encontra num sorriso.

De um sorriso, mil sonhos surgem

e a realidade se esvai em poucos segundos.

De repente, tudo ao teu redor some e só consegues ver uma coisa:

aquela pessoa, do outro lado da sala,

esboçando em suas bochechas

o mais lindo dos sorrisos tímidos.

Em frações de segundo,

a paixão bate na porta e acorda aquele velho coração,

como se fosse um raio te trazendo de volta à vida.

Por um momento, aquela manhã cálida e triste se torna agradável

quando o sorriso contagia e atinge a face.

Como num piscar de olhos,

tudo mudou.

Mas tudo que é bom tem o seu fim.

Tão rápido veio, tão rápido se foi.

Aquele lindo sorriso sai da visão

e deixa o gosto de quero mais.

Pelo menos, ela se foi só.

Deixou comigo a alegria e os sonhos.

Quem sabe um dia eu veja de novo esse sorriso

e dessa vez, os sonhos não fiquem comigo

e a alegria seja compartilhada.

Que neste dia, leves contigo meus sonhos

e os torne teus,

desde que me permitas roubar não só teus sonhos para mim,

mas também um outro sorriso.

Mas que esse seja tímido, por favor.

É mais bonito e puro.

Enquanto isso, vivo na saudade

de um olhar que se abriga num sorriso.

E se pudesse dizer algo a ti, menina,

diria Obrigado! por animar o meu dia

e me tornar cúmplice de tua alegria.

É, eu definitivamente tenho que parar de me apaixonar por sorrisos

e começar a me apaixonar por pessoas.

domingo, 23 de agosto de 2015

Continue a nadar.

Ouvindo a música "Você" do Grecco, me vieram diversos pensamentos. (Pra quem não conhece a música, eis a letra http://www.vagalume.com.br/grecco/voce.html).

Então, nessa minha caminhada há diversos momentos de desânimo. Na caminhada da vida de qualquer um há. As escolhas que tem que ser tomadas na vida tem que ser firmes para serem algo concreto. De nada adianta decidir por viajar no final de semana se na hora da partida der um desânimo e parar no meio da estrada para voltar para casa e dormir. Assim é a vida também, bem como a minha avó diz: "É a vida, cheia de altos e baixos". Sabe qual o mais interessante dessa frase que ela diz? A reação após falar. Sempre que ela fala isso ela começa a rir. Sim, simplesmente rir, como quem dissesse: "Por mais que a vida tenha seus altos e baixos, a vida é a vida, vive ela que vai ser divertida".

Mas, sabe qual é a parte que realmente me enche o saco disso tudo? Caminhar. Dar um passo para frente e ter que aguentar a caminhada. Não, não odeio o percurso, bem pelo contrário, mas odeio as barreiras que aparecem. Afinal, a tua caminhada nunca é só tua, por mais que devesse ser. Sempre aparecem caminhos que acabam se unindo ao teu e se não forem agregadores acabam por te enrolar mais.

A questão toda se resumo ao refrão: "Você não saberá se não seguir pra ver o que há no fim da estrada". (In)Felizmente, por mais difícil que seja a caminhada, temos que fazê-la e vivê-la. Na nossa vida, não existe teletransporte para simplesmente nos fazer chegar a algum lugar (por mais que isso fosse ser incrível, principalmente para não me atrasar pra aula), mas enfim, não existe. Só sei que no fim, vai valer a pena. Como um tio me disse: "Melhor viver com uma decisão errada do que com a dúvida de não ter tentando".

Outro tio também me disse, em ocasião da minha mudança: "Faz o que sempre o que o teu coração mandar. Mesmo que doa, mesmo que machuque, mesmo que às vezes pareça um pouco cruel. Vai em frente, meu guri!" E isso é pura verdade. Encontramos espinhos na nossa caminhada, mas talvez pior que isso, encontramos ervas daninhas. Problemas que crescem quase imperceptíveis e quando tu percebes, já dominaram o teu coração. O importante é sempre seguir em frente, seguir o coração. Viver como se houvesse sim o amanhã, mas não esquecendo que tu tens que viver o hoje também.

Enfim, já devo estar me tornando repetitivo, mas precisava escrever para esclarecer um pouco os pensamentos de minha própria mente. Só sei que no fim da minha caminhada espero que eu não tenha evitado chegar ao topo da montanha e que possa ter uma boa vista de toda essa caminhada que passei. O que sei é que Deus preparou algo para mim e agora estou tentando descobrir se estou pronto para isso que Ele preparou.


No mais, sigo minha vida, buscando sempre a felicidade.

Um grande abraço,

Pedro Meyer

terça-feira, 4 de agosto de 2015

A vida é feita de escolhas. Eu escolhi viver.

Vinte dias atrás, comecei a minha mais desafiadora mudança. Vim para Florianópolis sabendo de tudo que deixaria pra trás. Nesse tempo, muita coisa aconteceu: Reencontrei amigos antigos, fizemos uma maratona de Star Wars, vi o sexto filme pela primeira vez (único que faltava); fui no escritório da minha prima, comecei a ter uma rotina de trabalho, vi como as coisas funcionavam; fui na missa do Emaús, fui numa palestra sobre um jovem em processo de beatificação, visitei a paróquia que fiz a minha primeira comunhão; encontrei minha catequista, encontrei com minhas lembranças, fiz amizade com o Frei, me dispus a servir; as aulas começaram, a rotina apertou, os trabalhos começaram; comecei a estudar mais, a viver mais, a ser mais eu.

É, muitas coisas aconteceram nesses vinte dias. Foi um período de início de adaptação: de me encontrar comigo mesmo e de ter uma boa surpresa com o que encontrei. Foi um período de muitas memórias: da praça que andava de bicicleta com meu irmão, do prédio que moramos por um tempo, do quiosque que já alugamos bicicletas, do colégio que estudei e que fiz grandes amigos; enfim, de momentos bons que vivi e que guardo comigo.

Esse momento, porém, não se encerrou ainda.Se fosse para responder, agora, perguntas como: "Tu tá feliz?"  "Tá gostando da faculdade?"  "Tá gostando da cidade?"  Eu não poderia te responder. É cedo ainda. Muita coisa aconteceu, mas isso não é nem 10% do que o ano me reserva. Feliz? Bom, já estava antes. Não me considero uma pessoa triste em geral. Gostando da faculdade? Sei lá, cara! Tu não conheces algo por dois dias e já diz que ama ou não. A ansiedade é grande, porém, ela não pertence a mim. Vivo o meu momento e estou bem assim. Sei que muitas pessoas esperam coisas de mim, mas é o que terão que continuar fazendo: esperando. Sinto muito, mas a vida é feita de decisões. Meu avô decidiu seguir a sua profissão, aceitou a transferência de cidade e encontrou o amor da vida dele. Minha mãe decidiu vir pra Floripa com uma amiga, sair de casa naquele dia e achar meu pai na multidão. Meu irmão decidiu seguir parte de seu sonho, foi feliz com sua decisão e acabou se encontrando mais cedo com o Pai. Todos temos que tomar decisões pelo nosso próprio bem. Posso dar certeza de que nenhum desses se arrependeu de ter dado esse primeiro passo, portanto, tampouco eu me arrependo. Se foi o certo ou o errado? Isso cabe ao futuro. Deus já traçou seu plano para mim. Se eu estiver no caminho errado, uma hora ou outra Ele me mostra o certo. A tristeza fica, mas é superada; a vontade de estar perto também, mas a infelicidade de nunca ter tentado, essa sim nunca sairia da minha mente.

Agradeço, por fim, todos que me acolheram, todas despedidas que tive, todas amizades que se mantém forte, tudo de bom que me desejaram, seja nas postagens, ou nas orações; e tudo que Deus colocou no meu caminho. Estou feliz, sim, por ter tomado uma decisão. Agora se essa é a decisão mais feliz para mim, só Deus sabe. E quer saber de uma coisa? Eu confio nEle e tô bem assim.

Obrigado,
Pedro Meyer.