Num impulso me veio a vontade de escrever um pouco sobre o amor, sobre as besteiras do dia a dia e, sei lá, sobre o que der vontade. Eis aqui um pouco de mim! :)
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Quando o coração sorri
e no meio do caminho avista algo que te tira a atenção?
Pois é, assim começa uma história.
Perdido em pensamentos,
a pessoa se encontra num sorriso.
De um sorriso, mil sonhos surgem
e a realidade se esvai em poucos segundos.
De repente, tudo ao teu redor some e só consegues ver uma coisa:
aquela pessoa, do outro lado da sala,
esboçando em suas bochechas
o mais lindo dos sorrisos tímidos.
Em frações de segundo,
a paixão bate na porta e acorda aquele velho coração,
como se fosse um raio te trazendo de volta à vida.
Por um momento, aquela manhã cálida e triste se torna agradável
quando o sorriso contagia e atinge a face.
Como num piscar de olhos,
tudo mudou.
Mas tudo que é bom tem o seu fim.
Tão rápido veio, tão rápido se foi.
Aquele lindo sorriso sai da visão
e deixa o gosto de quero mais.
Pelo menos, ela se foi só.
Deixou comigo a alegria e os sonhos.
Quem sabe um dia eu veja de novo esse sorriso
e dessa vez, os sonhos não fiquem comigo
e a alegria seja compartilhada.
Que neste dia, leves contigo meus sonhos
e os torne teus,
desde que me permitas roubar não só teus sonhos para mim,
mas também um outro sorriso.
Mas que esse seja tímido, por favor.
É mais bonito e puro.
Enquanto isso, vivo na saudade
de um olhar que se abriga num sorriso.
E se pudesse dizer algo a ti, menina,
diria Obrigado! por animar o meu dia
e me tornar cúmplice de tua alegria.
É, eu definitivamente tenho que parar de me apaixonar por sorrisos
e começar a me apaixonar por pessoas.
domingo, 23 de agosto de 2015
Continue a nadar.
Então, nessa minha caminhada há diversos momentos de desânimo. Na caminhada da vida de qualquer um há. As escolhas que tem que ser tomadas na vida tem que ser firmes para serem algo concreto. De nada adianta decidir por viajar no final de semana se na hora da partida der um desânimo e parar no meio da estrada para voltar para casa e dormir. Assim é a vida também, bem como a minha avó diz: "É a vida, cheia de altos e baixos". Sabe qual o mais interessante dessa frase que ela diz? A reação após falar. Sempre que ela fala isso ela começa a rir. Sim, simplesmente rir, como quem dissesse: "Por mais que a vida tenha seus altos e baixos, a vida é a vida, vive ela que vai ser divertida".
Mas, sabe qual é a parte que realmente me enche o saco disso tudo? Caminhar. Dar um passo para frente e ter que aguentar a caminhada. Não, não odeio o percurso, bem pelo contrário, mas odeio as barreiras que aparecem. Afinal, a tua caminhada nunca é só tua, por mais que devesse ser. Sempre aparecem caminhos que acabam se unindo ao teu e se não forem agregadores acabam por te enrolar mais.
A questão toda se resumo ao refrão: "Você não saberá se não seguir pra ver o que há no fim da estrada". (In)Felizmente, por mais difícil que seja a caminhada, temos que fazê-la e vivê-la. Na nossa vida, não existe teletransporte para simplesmente nos fazer chegar a algum lugar (por mais que isso fosse ser incrível, principalmente para não me atrasar pra aula), mas enfim, não existe. Só sei que no fim, vai valer a pena. Como um tio me disse: "Melhor viver com uma decisão errada do que com a dúvida de não ter tentando".
Outro tio também me disse, em ocasião da minha mudança: "Faz o que sempre o que o teu coração mandar. Mesmo que doa, mesmo que machuque, mesmo que às vezes pareça um pouco cruel. Vai em frente, meu guri!" E isso é pura verdade. Encontramos espinhos na nossa caminhada, mas talvez pior que isso, encontramos ervas daninhas. Problemas que crescem quase imperceptíveis e quando tu percebes, já dominaram o teu coração. O importante é sempre seguir em frente, seguir o coração. Viver como se houvesse sim o amanhã, mas não esquecendo que tu tens que viver o hoje também.
Enfim, já devo estar me tornando repetitivo, mas precisava escrever para esclarecer um pouco os pensamentos de minha própria mente. Só sei que no fim da minha caminhada espero que eu não tenha evitado chegar ao topo da montanha e que possa ter uma boa vista de toda essa caminhada que passei. O que sei é que Deus preparou algo para mim e agora estou tentando descobrir se estou pronto para isso que Ele preparou.
No mais, sigo minha vida, buscando sempre a felicidade.
Um grande abraço,
Pedro Meyer
terça-feira, 4 de agosto de 2015
A vida é feita de escolhas. Eu escolhi viver.
É, muitas coisas aconteceram nesses vinte dias. Foi um período de início de adaptação: de me encontrar comigo mesmo e de ter uma boa surpresa com o que encontrei. Foi um período de muitas memórias: da praça que andava de bicicleta com meu irmão, do prédio que moramos por um tempo, do quiosque que já alugamos bicicletas, do colégio que estudei e que fiz grandes amigos; enfim, de momentos bons que vivi e que guardo comigo.
Esse momento, porém, não se encerrou ainda.Se fosse para responder, agora, perguntas como: "Tu tá feliz?" "Tá gostando da faculdade?" "Tá gostando da cidade?" Eu não poderia te responder. É cedo ainda. Muita coisa aconteceu, mas isso não é nem 10% do que o ano me reserva. Feliz? Bom, já estava antes. Não me considero uma pessoa triste em geral. Gostando da faculdade? Sei lá, cara! Tu não conheces algo por dois dias e já diz que ama ou não. A ansiedade é grande, porém, ela não pertence a mim. Vivo o meu momento e estou bem assim. Sei que muitas pessoas esperam coisas de mim, mas é o que terão que continuar fazendo: esperando. Sinto muito, mas a vida é feita de decisões. Meu avô decidiu seguir a sua profissão, aceitou a transferência de cidade e encontrou o amor da vida dele. Minha mãe decidiu vir pra Floripa com uma amiga, sair de casa naquele dia e achar meu pai na multidão. Meu irmão decidiu seguir parte de seu sonho, foi feliz com sua decisão e acabou se encontrando mais cedo com o Pai. Todos temos que tomar decisões pelo nosso próprio bem. Posso dar certeza de que nenhum desses se arrependeu de ter dado esse primeiro passo, portanto, tampouco eu me arrependo. Se foi o certo ou o errado? Isso cabe ao futuro. Deus já traçou seu plano para mim. Se eu estiver no caminho errado, uma hora ou outra Ele me mostra o certo. A tristeza fica, mas é superada; a vontade de estar perto também, mas a infelicidade de nunca ter tentado, essa sim nunca sairia da minha mente.
Agradeço, por fim, todos que me acolheram, todas despedidas que tive, todas amizades que se mantém forte, tudo de bom que me desejaram, seja nas postagens, ou nas orações; e tudo que Deus colocou no meu caminho. Estou feliz, sim, por ter tomado uma decisão. Agora se essa é a decisão mais feliz para mim, só Deus sabe. E quer saber de uma coisa? Eu confio nEle e tô bem assim.
quarta-feira, 3 de junho de 2015
Adeus? Não, até logo!
Porto Alegre. Cidade fria que por anos me tornou frio. Enquanto estudante, poucos amigos tinha. Não conseguia confiar em ninguém o suficiente para me dizer amigo. Não curtia o sotaque, tampouco as gírias. Riam de mim por não entender o que eram Guampas (tão difícil explicar que eram chifres?).
Porto Alegre. Cidade densa que me ensinou que a vida não funciona só na rua de casa. Depois de anos vivendo somente na rua Santa Rita e na Álvaro Chaves, caminhando as três quadras para ir de casa pro colégio e do colégio para casa, descobri que existiam outros atrativos à mesma distância, bastando eu cruzar ruas diferentes.
Porto Alegre. Cidade brasileira e laica pelo seu Estado que me ensinou que eu não preciso ser ateu só porque meus colegas se dizem ser. Atravessando a avenida, pude perceber que havia muito mais na Paróquia São Pedro do que somente idosos.
Porto Alegre. Cidade marco do bairrismo gaúcho que nunca fui com a cara. Aprendi o valor do respeito perante as culturas e a sobreviver como estrangeiro. Como disse, não fui tão bem recebido quanto poderia ser no colégio. Vi de perto o que é uma disputa de um GreNal, ou de como pode começar uma guerra civil por conta de gostos diferentes: Azul ou vermelho, isso define vida ou morte.
Porto Alegre. Cidade de amores. Amor tão intenso a ponto de quererem se separar do resto do Brasil para ter-se somente a si mesmo. Ensinou-me diversos valores de cunho românticos, desde o valor de um beijo roubado, até o que não se deve fazer e botar a culpa no pobre do amor.
Porto Alegre. Cidade dos parques e da família. Onde o domingo à tarde, se não for no Beira-rio, é na Redenção, no Parcão, no Germânia ou sei lá quantos parques que se fazem presentes. Mas claro, nada disso sem a presença da família ou dos amigos. Ir sozinho pra Redenção só se for para caminhar ou para ser assaltado.
Porto Alegre. Cidade da insegurança e da ingenuidade. Era uma vez, um jovem estúpido que descia uma rua perto da meia noite e que carregava seu celular novo no bolso. Três rapazes vieram e um deles tinha uma arma e levou o celular do jovem estúpido. É, Porto Alegre me mostrou o gostinho amargo de ser assaltado e ficar esperando 6 meses até pegar o celular de volta.
Porto Alegre. Simplesmente, Porto Alegre. Aprendi muito nessa metade de vida que passei aqui. Muitas vidas passaram pela minha. Muitas alegrias e tristezas pude compartilhar aqui. Na perda do meu irmão, esta cidade me foi amparo. Através de seus moradores, meus amigos, pude ter um grande apoio. Criei grandes amizades, sim, amizades que perdurarão por longos meses, anos quem sabe.
Dói-me dizer este "até logo", mas é preciso. Enquanto Porto Alegre me acolhia desta maneira já retratada, uma outra grande amiga me esperava.
Florianópolis. Cidade de vários encantos. Ponto turístico e onde muitos destes amigos gaúchos escolhem passar suas férias.
Florianópolis. Cidade das praias, das árvores, das montanhas. Lugar onde as matas superam as massas edificadas, onde o mar se faz visível de ponta a ponta.
Florianópolis. Ilha da velha figueira, que já serviu de inspiração para tantos poetas e tantas histórias. Terra dos manézinhos, dos R's puxados, do sotaque corrido, do Istepô. Este pedacinho de terra que contém belezas sem par.
Florianópolis. Minha querida Terra Natal. De onde vim, nasci e cresci. De onde deixei amizades que hoje hão de me receber de braços abertos, pois se mantiveram firmes e verdadeiras no passar dos anos. De onde parte de minha família veio e para onde volto.
Agradeço por tudo que Porto Alegre me proporcionou, desde no meu crescimento pessoal, até meu crescimento espiritual. Agradeço ao Colégio Marista São Pedro por ter me proporcionado conhecer professores que marcaram muito a minha vida e que levarei com um carinho fraternal por toda minha caminhada. Agradeço também pelos colegas que se mostraram amigos após o fim da caminhada escolar. Agradeço imensuravelmente à Paróquia São Pedro, lugar em que passei maioria dos meus sábados nos últimos cinco anos, onde aprendi que ser paróquia é ser muito mais do que um simples jovem do CLJ, mas ser alguém que está sempre disposto a ajudar no que for preciso. Mais que isso, ser paroquiano é se fazer presente e se alegrar ao ver pessoas que tu nem precisa saber o nome, mas que te tratam tão bem e dão um grande sorriso ao te ver. Agradeço aos párocos, Pe. Hugo e Pe. Luciano, por me mostrarem de jeitos diferentes o que é o serviço sacerdotal e o quão linda é a liturgia. Claro que eu agradeço também ao Monsenhor Tarcísio, um senhor que pôde me mostrar que a idade não é empecilho para sempre se estar com um sorriso no rosto e amar a Cristo. Além dos já padres, agradeço aos seminaristas que passaram pelo meu caminho e que se mantiveram junto a mim em diversos momentos, que viraram grande amigos com quem sempre poderei contar! (vocês sabem quem são!) Agradeço ao CLJ, onde aprendi que a liderança está muito acima de qualquer conhecimento, está no exemplo, na vivência e em como se trata seus iguais. Posso não ter sido o melhor líder, mas saio feliz sabendo que deixei algo de útil para o movimento e que cumpri a minha missão lá dentro. Agradeço ao MCJ, ONDA e Emaús, movimentos em que não participei, mas que seus membros se mostraram fortes e respeitosos, queridos e carinhosos, determinados e homens de fé. Agradeço à PUCRS por ter me mostrado muito mais do que eu esperava: amizades acima de um D. Pude ver nesse meu último semestre que eu realmente formei amizades lá. Achava que eram somente colegas, mas não. Pude ver o quão incríveis eles são e só posso dizer que eu realmente espero que eles tenham um incrível futuro profissional e que possamos, no futuro, trabalhar juntos em algum projeto, se os sonhos nos permitirem! Por último e com certeza não menos importantes, agradeço aos meus pais e minha família: se hoje posso ter forças para seguir o meu caminho, é pela educação e amor que vocês me deram! Não os deixo de amar por estar me separando de vocês, muito pelo contrário! Sei que esse amor só irá crescer e sei que os momentos que iremos ter juntos no futuro serão muito mais proveitosos. Torço muito pela felicidade de vocês e espero que possam cada vez mais estar unidos e felizes, que nas quedas possam ser fortes e que possam sempre contar comigo apesar da distância!
Enfim, se não ficou clara a postagem, digo agora: Floripa, me aguarde! No segundo semestre, I'm back! :)
terça-feira, 28 de abril de 2015
Tempos difíceis.
Bom, se posso falar algo nessa postagem para não ficar tão chata e sem sentido é que enquanto eu tentava escrever eu ouvia a música "Se for pra tudo dar errado" da banda Tópaz e reparei o quanto eu me encaixo com a primeira parte da música. Para quem não conhece, deixo aqui o link e o trecho que cito:
http://letras.mus.br/topaz/se-for-pra-tudo-dar-errado/
Eu nunca fui bom nisso
Não levo jeito pra dizer
Que vai dar tudo certo
E nenhum desastre vai acontecer
Pois é, eu tento ser o mais positivo que posso, mas muitas das vezes eu não consigo pensar assim. Eu realmente não consigo mentir para alguém quando eu sei que as chances de dar algo errado são maiores. Nesse quesito eu sou péssimo. A música continua e eu acho muito bonita a letra e, principalmente, o clipe dela. Tem um sentido enorme e é muito bonito. Posso não estar bem nas minhas ideias para falar algo decente nas minhas postagens, mas deixo essa música ali para que pelo menos algo de bom vocês possam tirar daqui.
Hasta,
Pedro.
domingo, 29 de março de 2015
A Igreja é velha, retrógrada. Só minha vó vai na missa. Será?
Como ia dizendo, estávamos em 6 nessa reunião e acordamos cedo após termos ido dormir tarde (dormi às 5h...). A minha Jornada começou ali, em reunião com pessoas importantes na minha vida, cada um com uma vivência de fé diferente da minha. Escolhemos a catequese Afetividade e Sexualidade dentre as 5 catequeses possíveis. 8:20 e já estávamos na paróquia para a catequese que começava às 9h. Aos poucos, foram chegando mais pessoas e se juntando a nós. Muita gente desconhecida, mas todos devidamente vestidos com camisetas das suas paróquias. Grande parte era de CLJ, mas ontem pude ver que a juventude de Porto Alegre não se resume à CLJ. Grupos como MEJ, Canaã, jovens vocacionados, entre outros, se fizeram presentes e mostraram que são tão fortes quanto.
Enfim, 9h estava previsto para começar a acolhida dos jovens. Deu a hora e olhei para trás e vi o nosso querido arcebispo Dom Jaime entrando na sala. Então, uma cena muito engraçada aconteceu: Dom Jaime tirou o solidéu de sua cabeça e colocou na cabeça de dois jovens que não tinham visto ele entrar ainda. A cara que os jovens faziam ao se virar e ver que era o nosso arcebispo fazendo isso foi algo incrível! E, claro, Dom Jaime esperava o jovem virar com um grande sorriso no rosto antes de cumprimentá-lo. Posso dizer que vi ele poucas vezes desde que assumiu o cargo, mas nesse dia cresceu mais o meu respeito e carinho por ele! Não pude evitar de imaginar: "Dom Jaime deve estar pensando: 'Viu, tu podes ser o próximo!' para cada jovem que colocava o solidéu".
Bom, a catequese ocorreu com diversos momentos de perguntas, música e tom de debate. Ouvir os padres Lucas Mendes e Ignácio (espero estar escrevendo certo) nos enaltecendo com suas palavras tanto em relação a posição da Igreja, quanto em relação aos seus depoimentos pessoais foi muito bom! Claro que as outras participantes também tiveram grande importância, mas fiquei fascinado ao ouvir um padre de 29 anos e um pouco mais de um ano de sacerdócio falar sobre o assunto. A juventude também está presente no clero!
Depois disso, mais de 200 jovens comeram no mesmo salão que ocorreu a catequese. Sem problemas, sem caras feias, sem empurra-empurra. Todos com muito respeito, se ajeitando em cadeiras e com os pratos no colo, comeram muito bem e se respeitaram. Ninguém precisou coordenar e chamar eles para que tudo desse certo. Simplesmente deu certo por todos estarem ali por um mesmo objetivo e por ter esse ideal maior que os une.
Até então, eu que não curto muito multidões, já estava me sentindo um pouco sufocado com tanta gente ali. Tirei uns minutos para ficar sozinho e descansar e depois fomos para o centro, onde 200 jovens não seriam nada mais nada menos que uma pequena parcela do que vinha pela frente. Chegamos na prefeitura e pudemos ver diversas faces conhecidas. Faltava uma hora, quase, para o início das atividades e, ainda assim, já tinha bastante gente ali. Entre cumprimentos e apresentações, os jovens começaram a cantar as músicas que já estão acostumados a cantar nos seus grupos. Um grande folclore se mostrou e todos se empolgaram. A multidão não me foi problema nessa tarde.
Às 15h, os organizadores foram para cima do caminhão de som e começaram as propostas. Tenho que dizer que eu sou uma pessoa muito tímida e não gosto de me mostrar muito em público, mas quando o Matheus Ayres começou a puxar as músicas, pedir que o pessoal levantasse os braços, puxar as dezenas, eu não tive a menor vontade de manter a timidez. Fiz tudo com o maior sorriso no rosto só pensando: "Cara, Cristo é demais!". Teve momentos, sim, que eu acabei ficando um pouco pra baixo com alguns pensamentos, mas que logo sumiam ao me perguntar: "Por que eu estou aqui mesmo?" e logo vir a resposta: "Ah, sim, é por Cristo! Não quero pensar no que me faz mal!".
Durante esse tempo entre a procissão e a missa, pudemos rezar algumas dezenas do terço, cantar músicas que inspiram o coração e, ainda, fazer um "Vem! Vem! Vem!" para as pessoas nos prédios e na rua. Ver tantos jovens em harmonia, tantos abraços puros, tanta manifestação de Deus nos jovens foi algo incrível, indescritível! Mais de mil jovens gritando a todos pulmões que aquela é a juventude do Papa, a juventude do Arcebispo, a juventude de Cristo! E não eram só jovens nesse meio, tinham padres, de cabelo branco até! gritando com toda a sua força de vontade que aquela era a juventude do Papa e NÃO se excluindo disso! Porque sim, os nossos padres, independente de idade, também são responsáveis por essa juventude linda que não tem medo de caminhar nas ruas do centro rezando e professando a sua fé!
Bom, entre uma dezena e outra, o que mais me chamou a atenção foi um fato que aconteceu: surgiu a proposta que se abraçasse os irmãos e se desejasse a paz de Cristo (falasse Shalom). Enquanto desejava pro pessoal da minha paróquia, vi um padre conhecido e após desejar para eles, fui falar com ele, dar um abraço e desejar a paz. Conversei um pouco com ele e apareceu um morador de rua para falar conosco. Sem preconceitos, ocorreu o seguinte diálogo:
"A paz de Cristo!" (começou ele)
"A paz de Cristo, meu amigo!" (apertando as mãos)
"Qual é teu nome?"
"Pedro, e o do senhor?"
"Antônio. Reza por mim, tá?"
Não lembro a minha resposta, mas disse que sim de algum jeito e depois ele seguiu o caminho dele. Ele estava mastigando enquanto falava comigo, com roupas bem degradadas e com uma sacola com as coisas que tinha. Mediante tanta juventude, ele poderia ter pedido tanta coisa. Podia ter pedido dinheiro, comida, bebida. Não, o que ele queria era que eu orasse por ele. Isso já bastava. Diante de tantos jovens, a pessoa que mais me deu o seu testemunho foi esse morador de rua e a sua humildade. O Antônio viu em mim e em outros jovens que abordou algo que o fez ter certa esperança e, mais que isso, nos passou esperança. Acredito que com a vida que ele possa ter tido, a vida que tem e entre tantas outras coisas, o que ele mais quis cuidar foi do espírito dele. A fome pode ser saciada por um tempo, assim como a sede. Mas a preocupação dele foi em alimentar o espírito. Com certeza ele alimentou o meu espírito.
A procissão terminou na praça da matriz e ficamos aguardando até o horário da missa. O entorno do monumento ficou pequeno para tantos jovens. Acabamos invadindo o espaço de pessoas que estavam por ali, mas não foi para jogar eles para fora de lá, mas, talvez, para chamar eles também para participarem disso. Começaram a testar o som enquanto o Dom Jaime falava no início da missa, mas tudo bem, estávamos em espaço público e houve conflite de horários. No resto da procissão, vi gente falando mal das Ave-Marias que rezávamos, jogando bafo de cigarro na cara de quem passava, enfim, desrespeitando o nosso momento. Mas, em nenhum momento, vi os jovens retrucando. Seguiram firme em seu ideal. Deram o seu testemunho! "Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos, e se disserem todo tipo de calúnia contra vocês, por causa de mim" (Mt 5, 11).
Então, teve a missa. A Catedral nunca ficou tão pequena para tanta gente. Consegui sentar só porque o pessoal da minha paróquia guardou um lugar para mim, mas logo após a benção inicial, Dom Jaime convidou os jovens a se sentarem nas escadas do altar e junto aos padres caso faltasse lugar para todos. Ali se configurou a juventude! Sem desrespeito algum, sentaram-se nas escadas e se fizeram parte importante desse povo de Deus que celebrava em comunhão! A missa em si foi ótima! Tenho que ser honesto e dizer que dei umas piscadas devido ao cansaço que estava, afinal, depois de 10 horas em atividades, sentar e ficar calmo por um período de tempo já era o suficiente para cair. Mesmo assim, consegui prestar atenção na homília de outro querido servo de Deus que eu não conhecia, mas que nutri um carinho especial nesse dia: Dom Leomar, nosso arcebispo auxiliar recém nomeado! Como sempre, foi incrível ver tantos padres em comunhão com o arcebispo e rezando ao mesmo tempo durante a consagração. Pra terminar, Dom Jaime ainda fez uma piada com a altura do pároco da Catedral e ouvimos tanto dele, quanto do padre Eduardo umas palavras de agradecimento à juventude, ao arcebispo, à arquidiocese.
Não satisfeitos, alguns jovens do CLJ SP ainda quiseram confraternizar mais e vir aqui em casa para uma janta rápida. Pudemos agradecer perante o alimento e pelo ótimo dia que todos tivemos, pela juventude ter se mostrado forte! Foi um dia cheio, mas não somente de compromissos, nem de falação, mas cheio de Deus e do Espírito Santo, cheio de Cristo em cada face que eu via, cheio de amor, harmonia e união! Então, se me perguntarem o que é a JAJ, só posso responder com uma coisa: é Deus mostrando o seu amor através da juventude!
Shalom!
quarta-feira, 18 de março de 2015
Now you're just somebody that I used to know.
Andei pensando nesses dias sobre o que escrever e, hoje, me surgiu um comentário que me fez pensar bastante nesse tema: amizades esquecidas. Estava vendo (pela primeira vez - e adorei) "A culpa é das estrelas" e o personagem masculino principal lembra muito um amigo meu de infância de Florianópolis que não falo mais e que acabou seguindo outro rumo de vida. Estava falando com uma amiga sobre isso e falando que por mais que o personagem me lembrasse do cara eu não conseguia odiar ele (o Gus). Sim, eu tenho essa tendência a descontar em personagens de filmes e afins se eles me lembram pessoas reais.
Enfim, com tudo isso, comecei a pensar mais e relembrar do passado. Começando por Floripa, tenho poucas memórias. Lembro, em especial, de quatro amigos. Um deles é o que lembra do Gus. Os outros foram amizades de diferentes contextos. Um foi aquele amigo que tu vive na casa dele e ele na tua. Lembro de quando fomos numa praça perto da casa dele depois de ter chovido e eu tive a brilhante ideia de descer do escorregador de cabeça para baixo e caí com tudo na poça de lama. Tive que pegar uma roupa emprestada dele até para poder voltar para casa. Há um tempo atrás, vi uma foto dele com o avô dele e até deixei uma mensagem dizendo que lembrava dos tempos de infância (que eu ia para a casa dele que por acaso era do avô dele). As outras duas amizades se configuraram em pouco tempo, começaram e terminaram no último ano que fiquei em Floripa. Um deles acabou indo para o lado das drogas e nunca mais falei com ele. O outro, sei que seguiu um bom rumo, mas ainda não mantive o contato pelo afastamento (8 anos, afinal). Ainda tenho minhas amizades de Floripa, mas esses eu mantenho contato mesmo e sempre nos vemos (por mais que sejam muito enrolados).
Em Porto Alegre, formei algumas amizades no colégio também, por mais que tenha demorado um bom tempo para isso acontecer. Mais rápido do que no colégio, fiz amizades no CLJ (e mais fortes). A questão disso tudo é as pessoas que foram se perdendo no meio do caminho. Pessoas que eu via todo dia na sala de aula e que hoje passam reto por mim na PUC, enquanto isso, encontro um cara que eu nem conversava direito na série que estudamos juntos e nos cumprimentamos de boa depois de nos encararmos e chegarmos a conclusão: "eu te conheço de algum lugar". A mudança de ambiente e convivência realmente muda as amizades. Posso dizer que sinto falta dos últimos meses de Terceirão quando eu estudava tipo 9 horas por dia com um grande amigo (mesmo cursinho e colégio) e que, sim, a nossa relação não continuou diária, mas cara, a amizade continua ótima como sempre. Mesma coisa do CLJ, pessoas que tu participa de retiros, fica uma amizade e não se leva adiante em muitos casos.
Além disso, tenho minhas amizades virtuais. Com o tempo de jogos online eu lembro de algumas figuras que passaram e ficaram por um tempo. Amigos do Lunia e do GC principalmente. Pessoas que tenho no meu facebook e volta e meia temos algum tipo de contato. Claro que não posso deixar de citar o Hec nessa, a melhor amizade que pude querer vinda de um jogo. Posso dizer que ele é o único amigo virtual que eu tenho esse contato quase diário.
Mas enfim, apesar de todas as idas e vindas, dos caminhos que cada um resolveu seguir, tenho que dizer que por mais que hoje em dia eu nem fale mais com muitos deles, eles foram importantes na minha vida. Cada um teve o seu papel na minha caminhada no momento certo. Não me arrependo de nenhuma das amizades, por mais que eu possa não falar mais com a pessoa há 8~9 anos. Não me arrependo do fim que elas tomaram também. Não mudaria nada no meu passado. Hoje, eu sei quem são as pessoas que eu tenho contato diário e quem eu me sinto mal se não conversar, porém, sei que em dois meses isso pode mudar. Podem surgir novas pessoas que vão se tornar tão importantes quanto, ou até pessoas que eu não falava mais e que o contato voltou. Sei que amizades se formam de inconstâncias que passamos na vida. O contato passa por mudanças, assim como a amizade. De qualquer jeito, o que importa são as pessoas que ficam, mesmo se falando uma vez por mês. Agradeço a todos aqueles que me deram e me dão o privilégio de ser chamado de amigo! :)
Um grande abraço para as novas amizades, para as antigas e para as esquecidas que se valeram de seu tempo!
Pedro Meyer. :)